terça-feira, 9 de agosto de 2011


Isabel


Olhando nos teus olhos nesse dia
Em que naquele bar te conheci,
Eu vi mananciais de poesia
E entre os teus poemas me perdi.

Quanta saudade, quanta nostalgia
E quanta solidão neles senti,
Quanta tristeza vã, quanta apatia
E quanto sofrimento eu vi ali.

Depois, juntamos todos nossas mãos.
E com um grande empenho, gestos sãos,
Quisemos-te mostrar nossa alegria

E vimos-te prestar esta homenagem
Querendo realçar tua coragem
De abrir teu coração em poesia.

Sep.




A POESIA DE
ISABEL SIMÕES
                             

O teu voltar


Minha vida é tão sofrida
Minha vida é tão dorida
Ai! Tanta fúria
Ai! Tanta raiva
Que desespero eu sinto
Meu coração, meu corpo, minh’alma
Tudo está carente
É a tua ausência…
Monstruosidade, maldade
Será que estou equivocada?
Será que estou enganada?
Será que não é realidade
O tu gostares de mim?
Não, tenho a certeza que sim…
Porque me procuras,
Porque me acarinhas
Porque me amas.
Vejo nos teus olhos lealdade
Nas tuas mãos, tanto carinho!
Sinto a tua serenidade
Queres a minha protecção
E esse teu olhar é
Perfeita sedução
E qual a solução?
Saber compreender
Esperar o teu voltar
Esperar o teu amar…
Com fúria, com raiva
Te beijar, te abraçar,
E assim a vida não é sofrer
Assim a vida não é doer…
Assim a vida é:
Intensamente viver.

           
 Céu

Para que brilhem meus olhos   
Basta para mim olhares
É um deslumbrar…
Com esse rosto tão lindo
Esses cabelos,
Já manchados de branquinho
Tudo é fascinação!...
Tudo representa carinho
Não é uma ilusão
É afinal…
Tudo muito real.
Tudo desejo em ti
Tudo posso alcançar
Para o Céu
Contigo quero ir
E talvez lá
Quem sabe?
Se ainda mais
Muito mais,
Nos podemos amar…



Tu és o amigo
O irmão
O amor
És a esperança
A incerteza
O futuro
O impossível
És a beleza      
Negrura, escuridão
Manhã de sol
Mar revolto
Mansidão dum lago
És a saudade
A manhã que surge,
Cuja noite não mais voltará
A noite longa
Talvez a manhã,
Que nunca surgirá.
És tudo isto
E  portanto
És tudo para mim
           
  

A gratidão


Existia
Mas não vivia.
Deambulava,
Por entre tudo
E tudo não era nada.
Não pensava, não sentia
Nem sequer o sol que brilhava.
Deambulava
Segundos, minutos, horas passavam
E não dava por nada,
Apenas divagava.
A noite igual ao dia.
Agora sinto, sei que existo, penso.
Sonho acordada
Tudo é importante no dia-a-dia.
Quero
Exijo
Quero mais e sempre mais…
Sei que existo e faço parte de um todo
E que mais posso desejar?
Apenas dizer:
Obrigada à razão de tudo isto.



Tu existias, eu existia. 
Milagre! Nossa amizade.
Ai! Será possível exprimir aqui
Tudo o que transformaste?
Tudo!
O turvo passou a ser claro
O mal desvaneceu.
Curvou-se.
Surgiu o bem
Viver
Saber viver
Não mais sofrer
Querer vencer
Tanta e tanta transformação
Tu operaste!
Milagre!
Fiz de ti a luz da minha vida.
Milagre
Nossa amizade.



Loucura


Não estarás a ficar louca?
-Não sei
Talvez
Mas não faz mal…
- Como vais ficar?
- Não me interessa
É loucura por amar.
-Achas que vale a pena?
-Sim…
Como dizia o poeta
Tudo vale a pena
Quando a alma
Não é pequena.


Manto de amor


Amor! Amor!
Única razão para meu corpo
Receber um homem em mim…
Abrem-se as pétalas,
Brancas, belas
Macias
Rubras, sedosas
Puras cheiram a rosas
Rosas!
Envolvem-te num manto
Manto fofo, te acaricia
Te protege e te delicia…!



Se


Ai! Se eu soubesse compor
Uma canção eu faria,
Onde pudesse dizer,
Tudo o que sinto por ti.
Tudo o que já vivi.
Todo este meu querer
Com vontade de te ter
E se eu soubesse cantar
Essa canção cantaria
Com certeza p’ra t’embalar
Numa noite longa e fria.


  

Tu


Pensamentos secretos
Sonhos proibidos.
Realidades da vida
Muitas e muitas alegrias
Momentos de canto
Verdadeiros hinos
Sulcos de grande sofrimento
E tu?
O maior contemplado
Em todo este emaranhado
Quem sabe se um dia mais tarde
De tudo isto…
Ainda possa nascer um livro
Um livro de sonhos proibidos
Um livro de sonhos sonhados.



Voltar

 

A vida muda   
Muda sempre,
Não quando queremos,
Mas muda.
Implacável, dura.
Sofrimento, tristeza
Amargura.
Entendimento, amor
Paixão.
Às vezes é um vulcão
Explosão.
De tanto…
Não aguenta o coração!
Outras…
É mansidão dum lago
Azul esverdeado,
Com sombras
De nossos amores
Que nos fogem
Muitas vezes.
E que fazer?
Uma prece talvez!
Rogando que voltem,
Se são puros.
E se o são
Ai! De certeza voltarão.


  

Compota de amor


O sabor do amor é doce,
Tão doce!
Como a compota que faço,
Seja d’abóbora, maçã, cereja
Ou até de damasco
Muito rica ela é
A compota do amor
São vários ingredientes:
Lábios, boca, rosto
Beijos, carícias, olhares.
Possuir, estreitar, saborear
Corpos que se desejam
E que se querem amar…
E sobretudo descobrir.
Descobrir o sabor da compota
O seu sabor particular.



Arrepio


Sinto um arrepio cortante
Um arrepio profundo
No meu corpo
E na minha alma
É um arrepio constante
Chega a ser dilacerante
Queria ter-te por perto
Queria ter-te junto a mim
Ai mágoa, mágoa
Que és tão grande…
Meus gritos são abafados
Meu peito vai rebentar
Meus dias são malfadados
Já não consigo chorar…
Ai! Que raiva.
Ai! Que fúria!
É uma tristeza sem fim…
Melhor será desaparecer
Chego a ter pena de mim…!
         

         Definição

O amor que tenho por ti
É um tornado
Um furacão
Varre tudo por onde passa
Ciclone, tufão
É um vulcão em erupção
É transformação
Mas…
O que parece tempestade
É felicidade
Tranquilidade
Serenidade
É calmaria, é esperança
É bonança
O amor que tenho por ti
Não é ilusão
É sim uma benesse
Para o teu coração.

  

Tudo é efémero


A vida me está a fugir
É um desespero tão grande…
Os meses passam
Passam tão rapidamente
Os dias são sopros
São sopros de luz
Tudo passa, tudo finda
Tudo é efémero
Errante
Tudo o que é sombra
Já foi luz
Passa o tempo cavalgando
E até o amor intenso
Vai para bem longe
Vai para o infinito
Leva-o o vento
Vai para o firmamento
Vai para o sítio eterno
Para amar
E será com certeza lá
Que eu e Tu vamos ficar…



Intimidade


A intimidade
A  nossa intimidade
Nunca eu vou esquecer
Infinda beleza
Do amor
Perfeita natureza.
Tudo era harmonia
Tanta cumplicidade.
Tanta verdade
Tanta pureza
Amar-te, beijar-te
Abraçar-te, acarinhar-te
Esperar-te
Em mim te receber
Tudo foi do céu
Tudo foi do paraíso
Tudo foi tão bom!
Não, nunca
Nunca irei esquecer
E vem, vem novamente…
Saberei esperar
E muito mais
Com certeza
Nos iremos amar!...



Ai mágoa, mágoa
Que és tão grande.
Vens das entranhas do mundo
Das entranhas mais profundas
Das entranhas do infinito
Das entranhas do inferno
Das entranhas de um vulcão.
Meu destino é maldito
Porque fui eu gostar de ti?
E tu? Eu sei
No paraíso estás
Rodeado de estrelas
De estrelas a brilhar
Me fugiste
Não te posso alcançar
Apenas em sonho
Te posso tocar
Só peço a Deus
Que esta via sacra
Que percorro seja breve
Me leve lá pr’a bem longe
Para bem perto de ti
E podes crer
Que lado a lado vamos ficar
E assim poderei repousar
Mas…
Mesmo assim
Muito queria…
Continuar a te amar.



A saudade corta a alma
Destrói o corpo
Dilacera o pensamento
É um constante sofrimento
Dá vontade de fugir
Dá vontade de partir
De partir para outro mundo
Onde existisses tu,
Fosse realidade teu olhar.
Meus olhos eram tão lindos!
Estão a deixar de brilhar…
Teu amor lhes dava o brilho
Teu amor lhes dava encanto
Basta, basta
Apenas me resta o pranto
Tua ausência me dá saudade
Tua ausência me dá sofrer
Eu só queria era viver
Eu só te queria amar…
E tua ausência me está a matar.




Prece


Meu Deus tem pena de mim
Deixai minha cabeça repousar
É que estou sempre
Sempre em ti a pensar,
E preciso tanto, tanto
De um pouco descansar
Não é que não goste do teu Eu
Em minha mente permanecer
A única razão desta prece
É por demais estar a sofrer.




Estrela perdida


Sou estrela que anda perdida
Eu sinto-me tão sozinha
Mas que triste é minha sina
Porquê minha vida assim?
Não tenho rumo
Porque faltas-me tu
Amargo é meu destino
Um destino malfadado.
Se a engrenagem da vida
Estivesse em harmonia
Podes crer ó meu amor
Nada assim seria
Estarias a meu lado.



Mágoa


Ai! Mágoa de mim
Dor sem fim
Por que terá de ser
Minha vida assim?
Tão sofrida
Tão dorida
Tão sem luz
Pesada é minha cruz.
Os caminhos são estreitos
Rodeados de precipícios
Tenho medo!
Tenho medo de cair
Amar é o meu vício
E apenas te amo a ti
Estou doente!
Doente do corpo e da mente
Hoje talvez venhas ver-me
Mas não posso…
Impossível estar contigo.
Ficarias muito triste,
Triste de me veres assim
De noite estiveste comigo
Em sonho, só em sonho
E confusa me senti
Vai-te embora
Mágoa de mim
Porque será?
Eu sei, é a tua ausência
É o meu amor sem fim.

  

O que é o amor afinal?


Dá-se a atracção
Vem o desassossego
O coração bate forte
Fica-se inebriado
Talvez equivocado
Sem orientação
Perde-se o norte
Devagarinho se acalma
Vem a cumplicidade
A partilha, a confiança
A esperança da felicidade
Que muitas vezes se alcança.
Os corpos se fundem
Surge o prazer,
Mistura louca, completamente…
Paixão, ternura,
Carinho, amor
Nada se mede
Nada se pesa
Apenas se sente.
E se tudo é puro
Sente-se infinitamente
Sente-se para sempre…
E se os dois chegam a velhinhos
Alcança-se a paz
A paz divinal
É isto o amor afinal…



Amei-te louca, loucamente
Tal como o sol ama o mar
E as estrelas o firmamento…
Em ti… sempre meu pensamento
Amei-te louca, loucamente
Auréola de fogo ao fim da tarde
Entre o céu e o mar
Onde se esvai nosso olhar
Quando cansados
E sedentos
Nossos olhos querem repousar.
Amei-te louca, loucamente
Com amor puro e cego
Com vontade de correr
Entre alamedas  verdejantes
Mas com cardos e silvas agrestes
Rio com pressa
De encontrar seu mar
Branco e puro era meu amor
Branca e pura é a espuma
Onda encrespada, onda gigante
Em manhã de frio intenso
Branca e pura a flor de amendoeira
Branca e pura a roseira brava
Em Maio florida
Rosas brancas, flores de laranjeira
Com elas meu cabelo guarneci
E foi só teu!
Pura eu era e me guardei para ti
E amei-te louca, loucamente
Outono, Outubro!...
Maio, flores…Isabel e Nuno
E suponho que te amarei
Para sempre!

 

Numa cesta pequenina
De raminhos entrançados,
Várias coisas eu meti
Em tempos que já lá vão.
Flores que no campo colhi,
Amores perfeitos do jardim,
Cardos e papoilas rubras,
Espigas de trigo douradas,
E teus carinhos sem fim…
Recordações variadas.
Peguei num laço e atei,
Ficou tudo bem guardado
E se estou triste, cansada…
Eu com paciência desato
Toda uma vida vivida
De encantos e desencantos
Toda uma vida passada!

   

Moinho


As velas de um moinho
Andam ao sabor do tempo
Andam ao sabor do vento
Assim anda o meu amor
Andando ao sabor de ti
E do teu jeito de olhar.
Vão rodando ao redor
Fazendo um cântico aos céus
Assim fazem os meus olhos
Ao olhar os olhos teus.
É uma prece cantada,
Harmoniosa e rara
Assim é o meu amar
Começou, cresceu
E nunca…irá findar!...




Perfume


Já a tristeza me visita
A saudade me anda a rondar
A mágoa me faz finar.
Ai, se eu te pressentisse!
O teu perfume eu sentisse…
Era um aroma especial
Canela doce, fruta tropical
Ténue e leve é agora
É apenas o recordar
E outrora?
Oh! Constantemente em mim
Se queria impregnar!!!
E que bom seria
Eu o poder renovar.



Roseira brava


Ai que saudades eu tenho
De seres meu
Dos teus beijos
Do teu poisar em meu ombro
O teu braço esguio e longo
Que tanto me estreitava!
De sentir teu corpo
Teu palpitar
Olhar teu sinal
Que no mundo te quis marcar.
És minha roseira brava
Toda em flor,
És a seara
Onde os meus olhos
Repousam o seu cansaço
Quando sedentos estão de amor.
E eu que sou para ti?
Talvez chocolate quente
Em manhã fria de Primavera
Ai! Como eu queria ouvir
Palavras simples e belas
Soar-me-iam como um fado
-És a minha Isabel
A mulher que quero a meu lado



Esta paixão…
É tão antiga
Põe-me louca a vaguear
Ai! Se ainda fosses meu
Teria nesta vida já o céu
Raios de sol, meus pensamentos
Charneca em flor,
Brisas do mar,
Estrelas vivas,
Meus olhos
Em noites de luar.
Andorinha louca, meu corpo
Em fins de tarde amenos
Pelos céus a rodopiar.
Mas… não
Apenas tenho este tormento
Negro tormento
Tormento inútil
Esperança vã
Esta esperança
Do teu voltar.

  

Basta


Ai! Mar…mar…
Refúgio de minhas mágoas
Foz do meu pranto
Espelho prateado
Onde meus olhos repousam
Depois de muito chorar
Cargas negativas
Para ti são atraídas
E eu me sinto mais leve
Tens feitiços em tuas águas
Tons de cinza
Verde
Azuladas
Tuas ondas altivas
Me desafiam
E acenam
E dizem
Basta, basta
Não sofras mais
Não !...

  

Raio de luz     


Minha vida…
Sempre te pertenceu
Meu coração
Sempre bem junto do teu
Lado a lado
E agora?
Qual o meu fado?
Sinto que a vida
Me está a fugir
É um punhado de areia
Que eu, com cuidado
Agarro
Mas…
Por entre os dedos
Ela quer escapulir.
Eu canto, eu danço
Eu rio,
Tento ser feliz
Estás sempre em meu pensamento
Por vezes, é muita a saudade
É um tormento
Apareces em sonho
És um raio de luz.
Penetrante
Fugaz
Errante
Dás-me força
Juventude
Alegria
Vivo agora,
Num mundo de fantasia.
Mas tudo, não passa
De um sonho
És o meu mundo
O meu mundo de Magia…



Tão depressa


Tão depressa sou
A dona do mundo
A princesa
A rainha
Tenho o coração
Cheio,
Imenso de ilusão…
Logo a seguir
Começo a chorar.
Quero teu amor implorar.
Porquê? Porquê?
Não posso estar
Ao pé de ti.
Não posso afagar
Os cabelos teus.
Fico confusa.
Minha alegria
Se esvai
Desmaia a vontade de viver.
Mesmo ouvindo ao longe
Tanto ao longe
Sonho, verdade?
Da mente divagação?
Gosto de ti.
De que me vale?
Tenho saudade
Nem sequer te posso olhar…
Que fazer?
Apenas me resta escrever
Tão desgraçada
É minh’alma!...
No papel
Apenas me  resta gravar
Aquilo que te queria dizer…



Desgraçada
Olhos baços
Encovados
Coração amarfanhado
Corpo apertado
Com tanta dor.
Eras rosa rubra
De pétalas macias
Que desabrochava
Sempre que aparecias.
Agora, Tu
Existes num
Outro mundo
Que é só teu
E belo.
Talvez, quem sabe?
Se não é um mundo
De perfeição.
Um mundo de adoração.
E tu rosa?
Rosa triste
Enjeitada
O que queres?
Tens sede?
Sede de amor?
Sede de afeição?
Murcha
Murcha de uma vez
E antes diz:
-Quero é acabar
Não quero sofrer mais
Não, não…


Teimosia


Porquê tanta teimosia?
O que não existe,
Continuar a amar!!!
Foste brilho intenso
Que me afagava
Quando tinha frio,
Quando meu coração
Esmagado gelava.
Eras pôr-do-sol
Cor de fogo
Que abraça o mar.
Eu…
Andorinha louca
Em fins de tarde
A chilrear.
E agora?
Em ti penso,
Às vezes, serenamente,
Outras, com revolta,
Fúria
Mágoa…
Uma esperança:
A ilusão do teu voltar
Mas com uma certeza
Verdadeira, absoluta:
-Continuo intensamente
A te adorar.



Ver-te a meu lado
Nem que fosse apenas
Por momentos breves…
Seria idílico
Fascinação…
Seria ouvir
Um hino à vida
Aleluia, aleluia
Oh! Vida
Vida louca
Desenfreada
Desencontrada
Vida desterrada
Tão carente estou
Estou a precisar de ti
Queria encontrar-te
Tão lindo eras
E  foste meu…
Onde estás agora?
Queria tanto olhar-te
Saborear-te
Momentos breves
Neste meu resto de vida
Que terá tempos escassos
O fim derradeiro
A acenar-me
E a chamar-me para o fim
O fim de todos os fins
Onde reina:
O silêncio
A harmonia
Com um fundo de cor suave
O azul do mar
Quem sabe?
Se não vamos ficar
Lá…
Nesse lá longe…
Distante…
Juntos
Juntos para sempre
E lá então
Eu, serenamente
Vou amar-te
Calmamente
Docemente
Para todo o sempre…           
                                              
  

Queria não esquecer


Por muito que eduque minha mente
Estou sempre a recordar-te
O teu sorriso, os teus olhos
O teu jeito de amar.
E dói, dói profundamente…
As lágrimas caem
O corpo estremece
O coração aperta.
Porquê amar tão loucamente?
Tua ausência vai tão longa
Queria não esquecer
Mas o sofrimento atenuar
E quero  afinal, sempre
Tudo lembrar
O coração alimentar
E continuar a te amar.



A tristeza me invadiu
Angustia, revolta, amargura
Tudo está em mim!
Onde andas meu amor?
Por que partiste tão cedo?
Estou só e tenho medo
Tanto sonho que eu tinha
Tanta vida para viver
Deixaste-me tão sozinha
Onde estás tu, ó meu amor?
Vem de vez em quando ver-me
Traz-me todo o teu encanto
Sai das trevas, do infinito
Desse destino maldito
E vem, vem me abraçar.
Quero ter-te por instantes
Momentos efémeros,
Errantes.
Quero ainda poder dizer-te
Tudo o que sinto por ti
E aquilo que mais queria
Era que talvez um dia
Fosse  Eu
Apenas  Eu
A tua companhia.


Revolta


Meu coração está doente
Muito, muito revoltado
Ainda não se habituou
A não estares a meu lado
Amei, vivi e sofri.
Mas terá que entender
Minha vida é mesmo assim!
É apenas recordar
E assim  me alimentar
Foi bom, belo, maravilhoso
Na realidade existiu
Tão fugaz…
Rapidamente me fugiu.

  

Mistura tropical


Gostava tanto
Gostava tanto de te ter!
E de ao teu lado estar
De te poder abraçar
De contigo conversar
Mas não, impossível,
Mas por que será
Que minha mente
Está sempre a recordar?
Agora e só agora
És um fruto  proibido.
Tanto te saboreei
E que  sabor que tu tinhas…
Mistura tropical.
Amora , manga, kiwi
Uva, damasco, cereja
Maçã, romã, abacaxi.
E quero lembrar-te eternamente
Estarás sempre comigo
És um ausente presente
E eu serei sempre
Apenas mulher
A tua mulher
Aquela que muito te quer.



A vida que eu para mim queria
Queria ter-te sempre a meu lado
Dar-te  um abraço todos os dias
Dizer-te, bom dia, bom dia
Ver-te chegar a casa
Ver esses teus lindos olhos,
Com esse jeito de olhar
Voltar a ser tua mulher
E me desejasses
Me beijasses
Me acariciasses
Teus problemas me contasses
E  Eu?
Abraçar-te-ia
Tua protecção procuraria
E podes crer…
Muito mais te amaria
Mas não. Isto é uma utopia
Já foi…
Não volta a ser.


Fim da tarde


Ai! Este fim de tarde
Esta brisa que acaricia,
Toda esta calmaria,
Sol que quer repousar
Este mar!...
Tudo de ti me faz lembrar
E nunca me esquecerei
Do quanto te amei
E uma prece vou fazer
Quando o sol, se for deitar
Quero eternamente
Para sempre…
Te continuar a amar.


Quatro estações


Meu amor tem de vir ver-me
Na entrada da Primavera.
Talvez me traga flores!
E lhe farei prometer
Vir outra vez no Verão
Talvez me traga paixão!
Quem sabe, se no Outono
Não se vai esquecer de mim…
Dessa vez quero castanhas
E um ramo de jasmim.
No Inverno vem no Natal,
É-me posto no sapatinho
E é o menino Jesus
Que me faz tão bela prenda
Embrulha-o todo em veludo
E põe lacinhos de renda.
Amor das quatro estações
Meu amor no sapatinho
Vejo-o tão poucas vezes
É um amor tão pobrezinho!



Sonata


Hoje o céu é uma renda
Com tanta estrela bordada
Diz-me lá ó meu menino,
Onde está a tua amada?
Gostava que me dissesses,
-Ela está onde tu estás.
Seria música suave,
Se tal coisa eu ouvisse.
Qual sonata de Chopin
Beethoven, Mozart ou List.




Hoje estou muito carente
Faltam-me os teus sorrisos
Os teus carinhos
Todos os teus mimos
Enfim!
Ao meu Deus eu peço
Do fundo do coração
Encarecidamente
Te deixe vir ter comigo
Pode ser em sonho, só em sonho
Podem ser momentos breves
Eu abraçar-te-ei
E te pedirei
Para vires vezes sem fim.
E podes crer ó meu amor
Nunca te arrependerás
De estares ao pé de mim.


Porto de abrigo


Árvores despidas, enormes
Ao céu parecem estar
Em prece de clemência
Assim está minh’alma
Tão triste com tua ausência.
Suas folhas foram caindo
Uma a uma devagarinho;
Assim caem minhas lágrimas
Sinto falta do teu carinho
Despida, agreste, tão nua!
Por que não sou sempre tua?
Assim como o azul é do mar
As estrelas do firmamento
Assim como o céu é da lua
Tua ausência
Tua ausência
Que tormento!
Tempestade no mar alto
Tempestade no deserto
Eu prometo meu amor
Proteger-te eternamente
Deixa-me ir ter contigo
E aquilo que quero ser
É o teu porto de abrigo.


Ciclo


Se não tivesses nascido,
Meus olhos…
Qual a razão de os ter?
Para que me serviriam?
Para nada, nada!
Só os tenho para te ver.
Nem que seja raramente…
Meus olhos,
Só para te mirar.
Talvez em noites de luar
E com eles… te continuo a amar
Amor presente
Amor ausente
Amor fugidio
Como a água no rio
Que corre para o mar,
E do mar vai para o céu
E ao mar vai voltar.
Assim é o meu amor.
Amor para sempre, sempre.
É um ciclo
Que não vai mais parar.


Duas gardénias para ti


Queria tanto escrever
Alguma coisa bonita
Sem a caneta levantar
Deixá-la correr
As letras combinar
- Escrever sobre quê?
Sobre a saudade
Que tenho por ti
Será que haverá algum dia
Sem te recordar?
Não, não há
É mesmo logo ao acordar
Ai como é bom!
Voltar a fechar os olhos
Ver teu rosto lindo
Sentir teu corpo esbelto
Ao meu encostar
Sentir tua meiguice
Abrir os olhos
E dar rumo à vida
Iniciar o dia com gosto
Voltar a te imaginar
Ver-te várias vezes
Teus jeitos, teus modos
E o dia continuar
Lendo, muitas palavras
Me levam até ti
A música tem poder especial
“Dos gardénias para ti
Com ellas quiero decir
Te quiero, te adoro, mi vida”
E assim quero viver
Sempre, sempre
A te lembrar
Sempre, sempre a te amar
Nunca te vou esquecer.

  

Gaivota


Ó gaivota vai voando
Por favor faz-me um favor
Faz uma breve paragem
E segreda bem baixinho
Àquele que tu bem sabes
E diz-lhe do meu amor
Diz-lhe da minha saudade
E de tanto o querer ter
Apenas por uns bocadinhos…
Nem que fossem pequeninos
Tinha mimos para lhe dar
Era só os receber
Ó gaivota vai voando
Ó gaivota vai voando
Terás que ir até ao Céu.

  

Anjo da guarda


Marés vivas
Ondas furiosas
Encrespadas
Gigantes, altivas.
Assim está minha mente
Mas meu coração
Está calmo, doce
Como que embalado
Suavemente
Disse-te cá de bem longe
Continuo a gostar muito de ti
E que um anjo da guarda
Te abrace
Ouvi um sussurrar
Atravessou talvez o infinito
Quem sabe? Anos luz…
Chegou até mim
Gosto de ti igualmente
Vi meu amor por momentos
Meus olhos brilharam
E olhei-o… serenamente.


Os meus amores


Mar tão calmo
Qual grande rio
Qual grande lago
De azul intenso
Tão grande, imenso
O horizonte em fogo
O sol quase a deitar-se
A lua tão cheia, redonda.
Parece até rebentar
E eu?
Tal qual a natureza
Mas sem tão bela beleza
Com a vida a me fugir
Como o sol a desaparecer
Mas com um anjo da guarda
A me aconselhar
Esconde-te
Dos que gostam de ti
Vive, mas recata-te
Para que de ti guardem
Uma imagem bonita
Que fique em seus olhos
Bem gravada
Como que um campo de flores
Depois deixa ficar o mundo
Mundo que é tão belo
Onde ficarão ainda
Muitos dos teus amores


Tricotar


Hoje lembrei minha mãe,
Por ter vestido ao deitar
Um casaquinho quentinho
Que ela fez para mim.
É um casaquinho de dormir
Um casaquinho de enfeitar
Para nestas noites frias
Me poder agasalhar.
O acariciei
E nas mãos dela pensei.
Parece que estou a vê-la
Velhinha a tricotar.


Mãe dos meninos da rua


À minha querida mãe
Outro poema quero fazer
Mãe dos meninos da rua,
Assim lhe chamaram
Por ser tão amiga
Dos que mais precisaram
Mulher tão doce!
Mulher tão bela!
Todos ficavam felizes
Ao estarem junto dela.
Senhora.
Verdadeira senhora
Independente
Inteligente
Trabalhadora
Marcas que me ficaram
Seus ensinamentos segui
Caminhos como os seus trilhei
Aos meus filhos
Igualmente ensinei.


Verdadeira Mulher


27 de  Maio,
Um dos dias com mais encanto
Em minha vida…
Fui mãe
De uma pérola,
A Isabel Margarida
Tem sido há já 35 anos,
Sempre branca, alva
Airosa e fresca
Uma bela flor…
Uma Margarida
Independente, altiva
Boa amiga!
Pelos pais e avós
Seus cromossomas
Foram gravadas
E os herdou
Não riquezas fúteis
Mas, postura
Liberdade
Bondade
Amizade
Não é uma pessoa qualquer
É com letra grande
Uma verdadeira
MULHER!...


Nuno Miguel


Meu filho
É um loiro bonito,
Tal qual seu pai
Só lhe faltam
Uns olhos azuis
Para ter
Feições iguais.
Seu feitio é semelhante
Ora doce ora amargo,
Por vezes fel.
Os valores da vida
Fundamentais
Por nós ensinados
Os agarrou.
Ao de cima vieram.
Elegante
Esguio
Honesto
Com bom coração
Amigo de seu amigo
Inimigo de intriga.
Seu cabelo comprido
Qual dourada espiga!...
Adora o mar
O nosso mar
Que nos afaga
E acalenta a mágoa.
A este mar
Muito tenho que agradecer,
Por tanta serenidade
E estabilidade lhe dar.
Sempre o afagou
E compreendeu,
Em tempos de outrora
Enquanto eu lutava…
Tal como faz agora.
Mas eis
Que tanto dele
Me orgulho.
O meu filho!...
E por vezes lhe digo:
-Nuno
Fizeste um jeito
De mãos e olhar
Parece-me estar a ver teu Pai
Tão vaidoso fica!!!
E me fita com carinho
Com seus olhos
Tom de castanhinho
E o mesmo jeito de olhar


Meu neto


Meu neto Tomás é um docinho
Menino delicado,
Menino educado,
É um fofinho.
Inteligente vivaço.
Transmite ternura
Doçura
Candura.
Posso levá-lo para qualquer lado,
Não me deixa ficar mal
É sempre muito bem educado
E até elogiado
Pela sua postura.
Menino muito sensível
De mente evoluída,
Em sua forma de estar
Em sua forma de pensar.
Suponho que é seu avô,
José Alberto, que no céu
Está por ele a velar.

  

Pelo sonho é que vamos


Ainda agora
Com a vida já bem longa
Estou presa em sonhos…
Sonhos?
Sim.
Sonhos do passado
Já vivido
Intenso, imenso
Tresloucado…
E
Sonhos para o futuro
Que ainda quero ter
Serão ambiciosos?
Talvez…
Mas quero tê-los
Quem sabe, se alguns
Não poderei vivê-los?
Assim quero crer
Assim quero viver.
Presa, bem presa
Numa teia de sonhos
Que é minha, só minha
Bem urdida
E que não vou querer desfazer.
E por favor
Nunca me chamem louca
Porque louca eu seria
Se no lugar dos sonhos
Existissem vazios
Nada de nada
Como é habitual dizer.



                                                                                                                                  

Um comentário:

Kiro Menezes disse...

Odisseia cândida de amor tão puro!